Após a morte de minha mãe, não tinha para onde ir. Meus parentes jamais criariam um abutre perto de sua prole e, não havendo nenhum orfanato na cidade, acabei acolhido pela elite de guerreiros que treinava aprendizes na minha cidade. Um senhor, um anão, que já tinha cabelos bem grisalhos, uma barba longa e também grisalha e olhar amargo, escolheu me acolher e criar como um soldado. Encaramos-nos como que numa disputa à primeira vez que fui apresentado a ele. Ele tinha olhos muito sérios e não parecia se assustar com o meu olhar, mas mantinha sempre um deles em mim, pois, afinal, nunca se sabe quando a paciência de um abutre termina e ele decide acabar com a vida de sua comida ele mesmo. Ele era o instrutor das aulas práticas.
Foi lá também que conheci Zephir. Um garoto um pouco mais velho que eu, de família abastada e traços extraplanares, como os meus. A diferença é que os dele eram celestiais. Os olhos dele tinham uma aparência que lembrava os do instrutor que acabara de conhecer. Não nego que tentei encara-lo nos olhos como havia feito com o instrutor, mas ele simplesmente se apresentou educadamente e retomou seus afazeres. Tinha olhos claros, cabelos loiros, enquanto eu tinha olhos díspares, um com a íris totalmente negra e outro com a íris totalmente branca e com pupilas verticais, cabelos negros e... Odeio essa parte... Uma cauda. Fazer o que, eu não pedi pra nascer com ela. Apesar de toda a diferença, com o tempo nos tornamos bons amigos. Ele me ensinava sobre a guilda, sobre os afazeres, os costumes, as histórias. E com o tempo adotei o estilo de vida deles, seus costumes, tudo. Já não tinha mais o olhar de abutre. Ou pelo menos assim disse novamente minha tia Isolda, ao me procurar para discutir a herança. Aos poucos, eu e Zephir nos tornamos inseparáveis, como irmãos.
O tempo passava e nosso treinamento na guilda se intensificava. Aprendemos a combater de mãos nuas, para depois passar às armas. Não posso negar minha fixação por espadas grandes. Claro, faça suas piadinhas, já estou acostumado. Mas a sensação de empunhar uma arma assim e combater com ela é incomparável. É uma sensação de poder ótima. Passava horas imaginando como aquilo poderia cortar um ser com intensidade tamanha para lhe arrancar um membro, fazer o sangue jorrar, ouvi-lo gritar de dor e depois suplicar por sua vida, quando lhe apontasse a lâmina ao pescoço, para logo após depois implorar pela morte quando... Mais uma vez me assustei com meus pensamentos. E esses não eram realmente os que me davam medo, porque aqueles que eu estaria torturando, maltratando seriam meus inimigos, e talvez fizessem o mesmo comigo se tivessem a oportunidade. Não, não eram esses que me assustavam.
domingo, 12 de abril de 2009
Cap. II – O Abutre
Quanto a mim... Eu nasci com traços abissais. Meu pai pensou ter sido traído por minha mãe e nos abandonou. Quando tinha 10 anos minha mãe faleceu de uma doença até hoje sem cura. A doença atacava os pulmões, atrofiava-os pouco a pouco. Era terrível vê-la tentar respirar, o sofrimento de quem se afoga lentamente sem chances de emergir. E ainda assim, eu tinha prazer ao imaginar todos aqueles a quem odiava na situação dela. Esse tipo de pensamento sempre me assustou muito. Sempre tive medo que o que os outros esperavam de mim se tornasse verdade, que eu me transformasse num demônio sem controle, sem nada a relevar, sem decisões, apenas ódio, fome, sede, e os instintos que levavam à cópula para me guiar.
Voltando à minha mãe.
Por dias sofreu de dores intensas, não conseguia respirar e não podia fazer mais nada além de ficar deitada e se esforçar para ficar viva. E eu observava tudo. Como um abutre. Talvez a morte tenha sido um alívio para ela. Nunca fui muito próximo de minha mãe. Não que não desejasse assim, o fato é que ela jamais teve comigo aquele vínculo materno especial. Ela tinha medo de mim. Todos tinham. Meus olhos de cores diferentes, que pareciam olhar de cima, como um carrasco, um abutre. Ou pelo menos assim dissera minha tia Isolda, que apesar de não gostar de mim, me manteve vivo, sustentando a mim e minha mãe enquanto ela padecia de sua doença. Apesar de tudo ela era minha mãe, e até hoje tento comparecer ao cemitério e pôr uma rosa em seu túmulo em seus aniversários. E observo seu túmulo de cima. Como um abutre.
Voltando à minha mãe.
Por dias sofreu de dores intensas, não conseguia respirar e não podia fazer mais nada além de ficar deitada e se esforçar para ficar viva. E eu observava tudo. Como um abutre. Talvez a morte tenha sido um alívio para ela. Nunca fui muito próximo de minha mãe. Não que não desejasse assim, o fato é que ela jamais teve comigo aquele vínculo materno especial. Ela tinha medo de mim. Todos tinham. Meus olhos de cores diferentes, que pareciam olhar de cima, como um carrasco, um abutre. Ou pelo menos assim dissera minha tia Isolda, que apesar de não gostar de mim, me manteve vivo, sustentando a mim e minha mãe enquanto ela padecia de sua doença. Apesar de tudo ela era minha mãe, e até hoje tento comparecer ao cemitério e pôr uma rosa em seu túmulo em seus aniversários. E observo seu túmulo de cima. Como um abutre.
sábado, 11 de abril de 2009
Cap. I – A Batalha
Tudo começou há centenas de anos atrás. Uma guerra. Uma guerra contra criaturas terríveis, sanguinárias, sem piedade. Uma guerra que os mortais não poderiam vencer. Mas eles não sabiam disso. Por muito tempo tentaram combater as feras sanguinárias, que tinham formação de exército, e atacavam como monstros. As criaturas continuavam a matar. Sua sede de sangue era insaciável, eram protegidos por magia, eram disformes e, aos olhos de cada um, tinham a aparência que mais lhe causasse temor. Ficariam conhecidos apenas como Exército do Medo. As cidades continuavam a cair. Os mortais continuavam a morrer. Até que os deuses intervieram.
Sem mais esperanças, todos se voltaram aos deuses, pois aquilo não era uma tarefa para mortais. Nunca fora. Pediram ajuda a Kaazar e Behamira, os progenitores de toda a vida inteligente, defensores da mesma, da paz e da virtude. Hordas angelicais desceram dos céus para ajudar na guerra.
Depois da ajuda angelical, a batalha não parecia realmente ter um lado vencedor definido, ambos derrubavam muitos inimigos, mas também tinham muitas baixas. A guerra parecia não ter fim, mês após mês as batalhas seguiam, e nenhum lado realmente avançava. Era hora de pedir mais ajuda.
Aqueles que veneravam Kuutuz, o deus maligno irmão de Kaazar, conhecido comumente como “O invejoso”, não se interessaram nem um pouco em se envolver em tão dispendiosa guerra. Então, tiveram de ser “convencidos”. Niamletus, sumo-sacerdote do deus, na época sob custódia do reino, preso com algemas mágicas numa sala que o impedisse de receber qualquer influência externa, recebeu então uma visita inesperada.
- Niamletus, sem sobrenome, acusado de traição, por venerar o deus maldito, por incitar guerras entre reinos, por matar e pilhar vilarejos, e por incontáveis mortes em sacrifício ao deus maldito.
- Se veio aqui saudar minhas realizações deveria trazer pelo menos um pouco de bebida alcoólica, não acha, majestade? – Apenas espiara quem era aquele que entrava em sua cela, mantendo a cabeça abaixada, ajoelhado, com os braços presos para trás. O cabelo já grisalho caindo sobre o rosto duro, de pontas quadradas e barba desajeitada.
- Pares de ser irônico. Vim para fazer-te uma proposta.
- Achei que o rei não negociasse com servos do maldito.
- Não te devo explicações. Queres ouvir ou não a proposta?
- Ora, vindo de vossa majestade, qualquer coisa. – e por debaixo do cabelo, um sorriso sarcástico.
O Rei Belken lhe disse então o que acontecera, das criaturas temíveis que assolavam o reino e além, da guerra sem fim, da dor e do sofrimento que o povo sofria. Niamletus ficou extasiado com a história, mas também ficou curioso. Então, o Rei lhe disse o motivo de ali estar.
- És um monstro, Niamletus. Mas és honrado de seu próprio modo. Dar-te-ei tua liberdade enquanto lutar na guerra. Sei que tentarás escapar, por isso, te darei três dias de vantagem na fuga. Depois disso, serás caçado como o animal que é. O que me dizes?
Um sorriso sádico por debaixo de todo aquele cabelo, os olhos se enchendo de alegria selvagem, por poder reaver sua liberdade, voltar a sentir o poder de seu deus fluir em si, poder fazer tudo que ali não mais podia: causar dor, comer boa comida, estuprar mulheres, usar boas roupas, matar lentamente aqueles responsáveis por sua captura, comer comida que não tivesse gosto de sabão... Eram tantas as vontades...
- Aceito.
Os soldados viram naquela semana chegarem outros guerreiros, encapuzados em negro, que não falavam, e cujas magias emanavam auras negras. Logo, demônios e criaturas terríveis começariam a aparecer no campo de batalha, do lado dos mortais. Mas ninguém questionou. Quem quer que fossem não poderiam ser piores do que aqueles contra quem lutavam.
A batalha foi vencida. Mas as tropas aliadas deixaram suas marcas. Sejam as criaturas angelicais que se apaixonaram ou viraram escravos dos mortais, seja pelo tributo de pecado cobrado pelas tropas infernais. O fato é: essências se misturaram. Várias gerações depois nascem indivíduos com traços deixados pelos seres extraplanares, vindos dos reinos dos deuses aliados. Seja considerada benção por alguns, ou castigo divino por outros.
Sem mais esperanças, todos se voltaram aos deuses, pois aquilo não era uma tarefa para mortais. Nunca fora. Pediram ajuda a Kaazar e Behamira, os progenitores de toda a vida inteligente, defensores da mesma, da paz e da virtude. Hordas angelicais desceram dos céus para ajudar na guerra.
Depois da ajuda angelical, a batalha não parecia realmente ter um lado vencedor definido, ambos derrubavam muitos inimigos, mas também tinham muitas baixas. A guerra parecia não ter fim, mês após mês as batalhas seguiam, e nenhum lado realmente avançava. Era hora de pedir mais ajuda.
Aqueles que veneravam Kuutuz, o deus maligno irmão de Kaazar, conhecido comumente como “O invejoso”, não se interessaram nem um pouco em se envolver em tão dispendiosa guerra. Então, tiveram de ser “convencidos”. Niamletus, sumo-sacerdote do deus, na época sob custódia do reino, preso com algemas mágicas numa sala que o impedisse de receber qualquer influência externa, recebeu então uma visita inesperada.
- Niamletus, sem sobrenome, acusado de traição, por venerar o deus maldito, por incitar guerras entre reinos, por matar e pilhar vilarejos, e por incontáveis mortes em sacrifício ao deus maldito.
- Se veio aqui saudar minhas realizações deveria trazer pelo menos um pouco de bebida alcoólica, não acha, majestade? – Apenas espiara quem era aquele que entrava em sua cela, mantendo a cabeça abaixada, ajoelhado, com os braços presos para trás. O cabelo já grisalho caindo sobre o rosto duro, de pontas quadradas e barba desajeitada.
- Pares de ser irônico. Vim para fazer-te uma proposta.
- Achei que o rei não negociasse com servos do maldito.
- Não te devo explicações. Queres ouvir ou não a proposta?
- Ora, vindo de vossa majestade, qualquer coisa. – e por debaixo do cabelo, um sorriso sarcástico.
O Rei Belken lhe disse então o que acontecera, das criaturas temíveis que assolavam o reino e além, da guerra sem fim, da dor e do sofrimento que o povo sofria. Niamletus ficou extasiado com a história, mas também ficou curioso. Então, o Rei lhe disse o motivo de ali estar.
- És um monstro, Niamletus. Mas és honrado de seu próprio modo. Dar-te-ei tua liberdade enquanto lutar na guerra. Sei que tentarás escapar, por isso, te darei três dias de vantagem na fuga. Depois disso, serás caçado como o animal que é. O que me dizes?
Um sorriso sádico por debaixo de todo aquele cabelo, os olhos se enchendo de alegria selvagem, por poder reaver sua liberdade, voltar a sentir o poder de seu deus fluir em si, poder fazer tudo que ali não mais podia: causar dor, comer boa comida, estuprar mulheres, usar boas roupas, matar lentamente aqueles responsáveis por sua captura, comer comida que não tivesse gosto de sabão... Eram tantas as vontades...
- Aceito.
Os soldados viram naquela semana chegarem outros guerreiros, encapuzados em negro, que não falavam, e cujas magias emanavam auras negras. Logo, demônios e criaturas terríveis começariam a aparecer no campo de batalha, do lado dos mortais. Mas ninguém questionou. Quem quer que fossem não poderiam ser piores do que aqueles contra quem lutavam.
A batalha foi vencida. Mas as tropas aliadas deixaram suas marcas. Sejam as criaturas angelicais que se apaixonaram ou viraram escravos dos mortais, seja pelo tributo de pecado cobrado pelas tropas infernais. O fato é: essências se misturaram. Várias gerações depois nascem indivíduos com traços deixados pelos seres extraplanares, vindos dos reinos dos deuses aliados. Seja considerada benção por alguns, ou castigo divino por outros.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Cap. Ø – Sem nome.
E aqui estou eu, correndo atrás de um homem, que não é muito mais que um esqueleto, devido a séculos de idade e magias que lhe consumiam a essência. Chove intensamente. O céu está nublado e o dia está cinzento. Corro no meio de uma cidade, tendo que ceifar vidas de pessoas inocentes, simplesmente por que estão no caminho. A espada parece pesada. E de fato é. Não é como a maravilhosa espada amaldiçoada que portava anos atrás. Não tenho mais o amor movendo meus músculos. Apenas ódio. Vingança. Mas o peso da espada, que deve ter o tamanho de uma porta, não fará diferença agora.
Movemos-nos a uma velocidade inalcançável e inimaginável pelas pessoas que nos rodeiam. Eu a passos mais rápidos que um cavalo pode pensar em cavalgar. E ele flutua velozmente a pouco mais de um metro do chão. Balanço a espada para livrar meu caminho de um eventual transeunte que entra na minha frente. E mato. Mato sem razão. Mato como o homem a quem persigo mata. Mas nunca desejaria ser como ele, que tem prazer com a dor alheia, que mata e tortura apenas por diversão.
Por isso o persigo. Para que não mate e torture mais. Para que não faça mais pessoas sofrerem. Mas me livro de qualquer um que entrar em meu caminho agora. Pois demorei muito para chegar onde estou. E uma chance dessas eu não posso desperdiçar. Levei mais de trinta anos para chegar onde estou. E não desistirei dessa caçada tão facilmente.
Mais à frente, ele ofega. E, mais importante que isso, ele teme. Teme como não temia em séculos. Teme por sua vida. A vida que ele acreditou ser infindável, devido ao pacto que selara há muito tempo. Ele passa por entre as pessoas, numa tentativa de me atrasar, para que ele possa fugir. Mas não adianta. Nada adiantaria.
Enfim, eu o alcanço. Numa praça aberta e sem pessoas em volta. Posso acertá-lo se ele tentar fugir voando. E ele sabe disso. Seu riso diabólico e maníaco, que sempre portava consigo agora é apenas uma face de desespero. Ele ofega. Eu tenho boa parte de meu rosto coberto pela sombra do capuz.
Aqui travaremos a batalha final de uma guerra pessoal que começara há muitos anos. Estamos encharcados pela chuva. Ele em seus trajes que um dia foram da mais alta costura, mas hoje se parecem mais com farrapos. Eu com minhas roupas de caçada: calças, camisa e casaco negros. Mantemos contato visual. Preparamos-nos para o choque que será a nossa batalha. Há muito tempo não estive tão feliz.
Movemos-nos a uma velocidade inalcançável e inimaginável pelas pessoas que nos rodeiam. Eu a passos mais rápidos que um cavalo pode pensar em cavalgar. E ele flutua velozmente a pouco mais de um metro do chão. Balanço a espada para livrar meu caminho de um eventual transeunte que entra na minha frente. E mato. Mato sem razão. Mato como o homem a quem persigo mata. Mas nunca desejaria ser como ele, que tem prazer com a dor alheia, que mata e tortura apenas por diversão.
Por isso o persigo. Para que não mate e torture mais. Para que não faça mais pessoas sofrerem. Mas me livro de qualquer um que entrar em meu caminho agora. Pois demorei muito para chegar onde estou. E uma chance dessas eu não posso desperdiçar. Levei mais de trinta anos para chegar onde estou. E não desistirei dessa caçada tão facilmente.
Mais à frente, ele ofega. E, mais importante que isso, ele teme. Teme como não temia em séculos. Teme por sua vida. A vida que ele acreditou ser infindável, devido ao pacto que selara há muito tempo. Ele passa por entre as pessoas, numa tentativa de me atrasar, para que ele possa fugir. Mas não adianta. Nada adiantaria.
Enfim, eu o alcanço. Numa praça aberta e sem pessoas em volta. Posso acertá-lo se ele tentar fugir voando. E ele sabe disso. Seu riso diabólico e maníaco, que sempre portava consigo agora é apenas uma face de desespero. Ele ofega. Eu tenho boa parte de meu rosto coberto pela sombra do capuz.
Aqui travaremos a batalha final de uma guerra pessoal que começara há muitos anos. Estamos encharcados pela chuva. Ele em seus trajes que um dia foram da mais alta costura, mas hoje se parecem mais com farrapos. Eu com minhas roupas de caçada: calças, camisa e casaco negros. Mantemos contato visual. Preparamos-nos para o choque que será a nossa batalha. Há muito tempo não estive tão feliz.
O Primeiro e Último Aviso
Bem, de começo, gostaria de esclarecer: esta não é uma história de glórias, de um herói bravo e que sempre tem certeza do caminho a seguir. Não é uma história de amores perfeitos, finais felizes nem nada do gênero. Essa história é real, uma história sobre a minha vida e o que me levou a querer contá-la. Aviso também que não sou um herói de contos de fadas. Não tive bravura, força ou inteligência sobre-humana. Se você for uma pessoa normal, talvez sinta pena de mim, talvez chegue a me odiar por alguns feitos ou até parar de ler logo de início. Espero que você não seja uma pessoa normal.
É seu último aviso para parar de ler.
Se você está lendo essa parte sinto-me grato. Prossigamos.
É seu último aviso para parar de ler.
Se você está lendo essa parte sinto-me grato. Prossigamos.
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